O Brasil assiste, mais uma vez, a um roteiro conhecido — e nem por isso menos alarmante. Um banco cresce de forma vertiginosa, seduz o mercado com promessas de rentabilidade, aproxima-se de centros decisórios e, quando as engrenagens começam a ranger, descobre-se um labirinto de relações que atravessam autoridades, estruturas públicas e interesses privados.
O caso Master não é apenas sobre um banqueiro ou sobre um possível esquema bilionário. Ele nos obriga a encarar uma pergunta incômoda: até onde a livre iniciativa pode avançar antes de confundir liberdade econômica com licença para capturar o Estado?
Quando investigações apontam conexões com figuras do topo da República, o problema deixa de ser apenas financeiro — torna-se institucional. Porque a democracia não se mede apenas pelo voto, mas pela capacidade de suas instituições resistirem ao assédio do dinheiro.
Há um cinismo estrutural nesse modelo: o mercado pede menos Estado quando quer lucrar, mas depende dele para socorrer crises, garantir liquidez e preservar a confiança do sistema. Privatizam-se os ganhos; socializam-se os prejuízos.
O cidadão comum, que trabalha, paga impostos e confia no sistema bancário, observa atônito um universo onde bilhões parecem circular em uma realidade paralela — distante da vida concreta de quem pega fila em hospital, luta por crédito ou tenta manter uma pequena empresa aberta.
Mais grave ainda é a pedagogia silenciosa desse tipo de escândalo. Cada episódio não punido com rigor comunica à sociedade que existem dois países: um onde a lei pesa e outro onde ela negocia.
Mas a resposta necessária vai além da prisão de executivos. Ela passa por transparência radical, fiscalização independente, responsabilização efetiva e, sobretudo, pela reconstrução de uma cultura pública onde o capital não se sente autorizado a tutelar a República.
A pergunta que paira não é apenas se o dinheiro estaria se tornando superior às instituições — mas se teremos maturidade democrática para impedir que isso se normalize.
Porque, quando o poder financeiro começa a parecer maior que o próprio Estado, o risco não é apenas econômico.
É civilizatório.
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_Joilson Bergher/Professor!_

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