segunda-feira, 5 de outubro de 2026

VANUZA BARROSO, VANUZA DO CACAU Por Wilson Midlej

 


Chego ao amanhecer deste 5 de outubro com um sentimento de desapontamento. As eleições gerais aconteceram ontem, e os resultados das urnas frustraram a esperança de conquistar uma representação comprometida com a recuperação da região cacaueira e com o fortalecimento de uma das mais importantes matrizes econômicas da Bahia.

Mas uma esperança frustrada nas urnas não significa uma causa encerrada.

Foram 37.355 votos de confiança em Vanuza do Cacau. Pessoas que reconheceram nessa mulher carismática e guerreira a disposição de levar ao Congresso as necessidades de uma região que produz, emprega e precisa ser ouvida.

Um obstáculo, entretanto, marcou profundamente essa caminhada: a escassez de recursos. Vanuza e seu esposo, o engenheiro civil Marcos Túlio Barroso, enfrentaram as exigências de uma campanha que previa percorrer pelo menos 90 municípios em apenas dois meses. A expectativa de financiamento partidário suficiente, alimentada pelos contatos com lideranças, não se concretizou na dimensão necessária.

Uma campanha exige montagem de equipe, transporte, combustível, gravação de mídias, produção de material de divulgação e presença constante nas redes sociais. Tudo isso custa e interfere na capacidade de alcançar os eleitores.

É possível que essa limitação tenha contribuído de maneira expressiva para que Vanuza não alcançasse os votos necessários à conquista do mandato tão almejado pelos trabalhadores da lavoura cacaueira.

Como jornalista e portador de alguma experiência nesses embates, integrei uma equipe que reuniu produtores de cacau e outros participantes dessa cadeia produtiva, irmanados na defesa de uma causa.

Esse foi o sentido que deu força à candidatura: representar uma luta coletiva. A adesão nasceu da confiança, do pertencimento e da esperança de conquistar políticas públicas que assegurem preços justos, valorização do produtor e chocolate de qualidade.

Foram meses de tensões, divergências, aprendizado e muita emoção.

Fiz o meu trabalho na medida do possível. Nem sempre concordamos sobre os caminhos, mas preservamos o respeito recíproco e o compromisso que nos unia. A ansiedade era grande porque sabíamos o quanto aquela conquista poderia significar para o futuro da lavoura cacaueira.

À frente dessa caminhada estava uma mulher que ajudou a organizar os produtores em torno da Associação Nacional dos Produtores de Cacau, por ela fundada e presidida. Uma mulher que tantas vezes precisou extravasar sua indignação diante do desequilíbrio entre quem produz e quem exerce maior poder sobre os preços e as condições de comercialização do cacau, esse produto tão nobre, verdadeiro alimento dos deuses.

Fica na memória dos nossos produtores o grito que acompanhou a campanha: “O cacau tá caindo...”. Um grito que traduziu a angústia de quem vê o preço cair e precisa continuar trabalhando, sustentando a família e mantendo viva a lavoura.

Fica também, na história do cacau brasileiro, a luta de Vanuza Barroso, que transformou a defesa do produtor em candidatura e ajudou a recolocar o cacau da Bahia no debate político.

O mandato não veio. A mobilização, porém, deixou raízes.

Que novos representantes dessa lavoura surjam com a mesma força de caráter da nossa “onça morena”. E que Vanuza encontre, no reconhecimento de quem caminhou ao seu lado, forças para continuar.

Muito obrigado, Vanuza, pela oportunidade de me ligar a essa causa e de ter sido um dos 37.355 baianos que acreditaram na honradez e na autenticidade dessa mulher valente.

As urnas encerraram uma disputa. A causa continua.

Lista dos deputados estaduais e federais eleitos na Bahia 2026


Deputados estaduais eleitos 2026:

Ivana Bastos (PSD):
Diego Castro (PL):
Rowenna (PT):
Dr. Thiago Gilleno (Republicanos):
Denise Menezes (PSD):
Elinaldo (União):
Rosemberg (PT):
Alex Piatã (PSD):
Pedro Tavares (União Brasil):
Rogério Andrade (MDB):
Sandro Régis (União Brasil):
Luciano Pinheiro (PDT):
Osni (PT):
Cinthya Marabá (PL):
Angelo Almeida (PSB):
Samuel Júnior (PL):
Andrea Castro (PSD):
Vilma Reis (PT):
Tancredo Isidório (Avante):
Marcinho Oliveira (PDT):
Léo de Neco (Avante):
Igor (PL):
Niltinho (PSD):
Júlio Pinheiro (PT):
Jânio Natal Júnior (PL):
Juvenilson Passos:
Hassan de Zé Cocá (PP):
Ricardo Rodrigues (PSD):
Júnior Muniz (PT):
Bobô (PCdoB):
Kleber Rosa (PSOL)
Jordávio Ramos
Fabrício Falcão (PCdoB)
Tagner (PT)
Roberto Carlos (PV)
Eduardo Salles (PV)
Robinson Almeida (PT)
Fátima Nunes (PT)
Marquinho Viana (PV)
Zó do Sertão (PCdoB)
Neusa Cadore (PT)
Euclides Fernandes (PT)
Vitor Azevedo (Avante)
Silva Neto (Avante)
João de Furão (Avante)
Jurailton Santos (Avante)
José de Arimateia (Republicanos)
Neto Coelho (PDT)
Josafá Marinho (PDT)
Cláudia Oliveira (PSD)
Ludmilla Fiscina (PSD)
Carlinhos Sobral (MDB)
Paulo Câmara (PL)
Soldado Prisco (PL)
Penalva (PP)
Luciano Simões (União Brasil)
Dr. Pitágoras (PP)
Tiago Correia (PSDB)




Deputados federais eleitos 2026:

Federação União Progressista 

(PP/União Brasil)

Sandro Filho (PP)
Claudio Cajado (PP)
Elmar Nascimento (União Brasil)
Dal Barreto (União Brasil)
Leur Lomanto Junior (União Brasil)
Ditinho Avivip (União Brasil)
Paulo Azi (União Brasil)
Arthur Maia (União Brasil)
Manuel Rocha (União Brasil)

PSD

Antonio Brito
Daniel Alencar
Gabriel Nunes
Sergio Brito
Raimundo da Costa
Charles Fernandes

MDB

Ricardo Maia

Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV)

Lucas Reis (PT)
Ivoneide Caetano (PT)
Jorge Solla (PT)
Valmir Assunção (PT)
Afonso Florence (PT)
Maria Marighella (PT)
Joseildo (PT)
Daniel (PCdoB)
Olivia Santana (PCdoB)
Alice Portugal (PCdoB)

PSDB
Carlos Muniz
Adolfo Viana

Avante

Pastor Sargento Isidório
Neto Carletto
Elmo Vaz

PSB

Mario Negromonte Jr

Republicanos

Diego Coronel
Léo Prates
Márcio Marinho

PDT 

Felix Mendoça Jr.

PL

Doutora Raissa Soares
Roberta Roma
Capitão Alden
João Bacelar



domingo, 4 de outubro de 2026

Jerônimo Rodrigues é reeleito governador da Bahia no primeiro turno

 


Jerônimo Rodrigues (PT) garantiu a reeleição ao Governo da Bahia neste domingo (4/10), alcançando 55,19% dos votos válidos e assegurando mais quatro anos de mandato no Palácio de Ondina a partir de 2027. O resultado em primeiro turno confirmou a trajetória apontada pelas pesquisas de intenção de voto divulgadas na véspera do pleito e marcou a segunda vitória consecutiva do petista sobre seu principal adversário.

Seu principal concorrente, ACM Neto (União Brasil), obteve 44,27% dos votos com a apuração atingindo a marca de 94,71% das urnas. O restante da votação foi dividido entre Ronaldo Mansur (PSOL) com 0,36%, Aroldo Félix (UP) com 0,07%, Maria Bona (PCO) com 0,05% e Ariel Capistrano (DC) com 0,04%.

Em Jequié, ACM Neto obteve 48,605 mil votos válidos conta 40,664 mil do governador eleito Jeronimo Rodrigues. Resultado ainda vem mostrando um cenário positivo para o ex-prefeito Zenildo Brandão que sinaliza 54,27 por cento dos votos em Jequié. 

sábado, 3 de outubro de 2026

Jequié: Proibição de bebidas alcoólicas nas eleições afeta mais de 200 cidades


A determinação da Lei Seca para o primeiro turno das eleições, no próximo domingo (4), vai impactar a rotina de eleitores em mais de 200 municípios baianos. Uma lista parcial com as localidades que já expediram portarias restringindo ou proibindo a venda e o consumo de bebidas alcoólicas foi divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) na última sexta-feira (2).

Entre os municípios afetados, Jequié ganha destaque ao figurar na lista de cidades com restrições ativas para o dia da votação, devendo seguir as diretrizes estabelecidas pelas portarias locais. A aplicação das medidas em diversas regiões do estado depende da definição dos "Municípios-Sede", cujas decisões passam a valer para todas as localidades integrantes da respectiva zona eleitoral.

Por outro lado, a capital baiana, Salvador, não constava na lista inicial divulgada pelo órgão eleitoral e, até o momento, nenhuma zona eleitoral da cidade havia decretado a medida. A fiscalização em Jequié e nos demais municípios com portarias vigentes visa garantir a ordem pública e a tranquilidade no processo de votação ao longo de todo o domingo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Sinjorba denuncia escalada de ilegalidades e perseguição à presidenta da entidade no Sinpojud



LINHA FINA

Jornalista recebeu aviso de férias na véspera do início do período e, após contestar procedimento considerado ilegal, foi advertida; novos fatos serão levados ao Ministério Público do Trabalho.

O Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) denuncia uma escalada de atos ilegais e persecutórios contra sua presidenta, Fernanda Gama, que trabalha na assessoria de imprensa do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sinpojud). Nesta quinta-feira (1º), a jornalista recebeu uma advertência após se recusar a assinar um aviso de férias que, segundo o Departamento Jurídico do Sinjorba, desrespeita dois dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Fernanda foi comunicada pelo setor de Recursos Humanos do Sinpojud na quarta (30 de setembro) de que entraria de férias já no dia seguinte, quinta, 1º de outubro. O artigo 135 da CLT estabelece antecedência mínima de 30 dias para a comunicação das férias. O Sinjorba aponta ainda violação ao artigo 134, parágrafo 3º, que proíbe o início das férias nos dois dias que antecedem feriado ou dia de repouso semanal remunerado.

Orientada pelo Departamento Jurídico do Sinjorba, Fernanda recusou-se a assinar o recibo e comunicou a irregularidade ao seu chefe imediato e aos demais dirigentes do Sinpojud.

Na manhã de quinta (1º), a jornalista compareceu normalmente ao trabalho. Segundo seu relato, o chefe do setor de Recursos Humanos, Ribamar Silveira, foi até o setor de Imprensa acompanhado de dois funcionários e de um segurança terceirizado, armado, para entregar-lhe uma advertência. 

Nesta sexta (02), o senhor Ribamar Silveira voltou à sala de imprensa novamente com o segurança armado, tentando forçar a funcionária a assinar o documento ilegal. Nas duas oportunidades, Fernanda, sob orientação do Jurídico do Sinjorba e do seu chefe imediato, se recusou a assinar a peça.

Para o Sinjorba, a presença de um segurança armado na entrega do documento conferiu caráter intimidatório à ação. Assim como a ameaça de demissão por justa causa escrita no final do documento. Na mesma manhã, Fernanda também teve bloqueado o acesso ao e-mail institucional utilizado em seu trabalho.

“É preocupante que uma organização criada para defender trabalhadores seja a casa de tantos atos que consideramos ilegais, antitrabalhistas e antissindicais. Uma trabalhadora recebe um aviso de férias na véspera, aponta que o procedimento desrespeita a CLT e, em vez de o erro ser corrigido, recebe uma advertência. É uma inversão completa dos princípios que deveriam orientar uma entidade sindical”, afirma Moacy Neves, diretor do Sinjorba e vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Caso anterior

O novo episódio ocorre pouco mais de dois meses depois de outro caso envolvendo Fernanda Gama no Sinpojud. Em 28 de julho, segundo denúncia do Sinjorba e da FENAJ, um delegado sindical tentou filmar sem autorização uma conversa da jornalista com o presidente da entidade, Manoel Suzart.

A situação levou Sinjorba e FENAJ a cobrarem medidas de proteção aos jornalistas que trabalham no Sinpojud e a encaminharem o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Para a entidade, a sucessão dos acontecimentos demonstra que não se trata mais de um episódio isolado, mas de uma situação de perseguição à sindicalista. Resta saber quem está por trás do chefe do Setor de Recursos Humanos, patrocinando sua atitude autoritária e ilegal. 

Novas medidas

Os acontecimentos de 30 de setembro, de 1º e 2 de outubro serão acrescentados à denúncia ao Ministério Público do Trabalho. O Departamento Jurídico do Sinjorba também avaliará as medidas judiciais cabíveis diante do aviso irregular de férias, da advertência, das circunstâncias de sua entrega e do bloqueio do e-mail institucional da jornalista, claras demonstrações de assédio moral no trabalho. 

“Infelizmente, o Sinpojud consegue demonstrar que nada é tão ruim que não possa piorar. A entidade se afastou de sua finalidade de defender trabalhadores e hoje reproduz contra uma trabalhadora práticas que o movimento sindical historicamente combate nos maus empregadores”, comenta Moacy Neves. 

Ele diz que o Sinjorba está documentando cada ato ilegal e autoritário para buscar nos órgãos trabalhistas e na Justiça a responsabilização de quem está praticando tais arbitrariedades. “Tanto a pessoa jurídica, quanto as pessoas físicas envolvidas serão acionadas por assédio, dano moral e material”, afirma Moacy Neves.

TRE-BA altera locais de votação em Jequié e Manoel Vitorino para as Eleições 2026

O eleitorado dos municípios de Jequié e Manoel Vitorino deve ficar atento às mudanças na infraestrutura de votação preparadas para as Eleições Gerais de 2026. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) promoveu a readequação e a alteração de diversas seções eleitorais pertencentes à 22ª e à 23ª Zonas Eleitorais, o que exigirá que parcela significativa dos cidadãos se dirija a novos endereços no dia do pleito.

O primeiro turno das eleições ocorre no dia 4 de outubro (domingo), no horário das 8h às 17h. Na ocasião, os eleitores votarão para os cargos de presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.

Confira os novos locais de votação em Jequié:

  • Jequiezinho: As seções 34, 35, 36, 37, 38, 184 e 211, que anteriormente funcionavam no Colégio Jornalista Fernando Barreto, foram transferidas para a Escola Municipal Anísio Teixeira, situada na Rua Agapito Fernandes, nº 01. Eleitores cadeirantes ou com mobilidade reduzida deverão utilizar o portão lateral para acesso.

  • Joaquim Romão (Escola Ademar Vieira): As seções 82, 83, 84, 94, 96 e 309, antes instaladas no Colégio Professor Brito, passam a funcionar na Escola Ademar Vieira, localizada na Praça Papa João XXIII, s/nº, ao lado da Rodoviária.

  • Joaquim Romão (Lagoa Dourada): Já as seções 351, 431, 446 e 460, que também funcionavam no Colégio Professor Brito, foram movidas para o Centro Comunitário Lagoa Dourada, na Rua Lagoa Dourada, s/nº.

  • KM 04: As seções 262, 263 e 264, anteriormente localizadas na Escola Nossa Senhora da Luz, passam para o Colégio Vasco Filho, na Rua Florestal, s/nº.

  • KM 03: As seções 265, 266, 267 e 268, que também pertenciam à Escola Nossa Senhora da Luz, passam a funcionar no Colégio Eliel Cerqueira Mendes, na Rua São Francisco, s/nº.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Eleições 2026: saiba o que é permitido e proibido no dia da votação e como evitar crimes eleitorais

Especialistas da Faculdade Baiana de Direito explicam as regras essenciais, os direitos do eleitor e as penalidades para quem descumprir a legislação

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil



Com a aproximação do dia do pleito, surgem diversas dúvidas entre o eleitorado sobre o que pode e o que não pode ser feito nos locais de votação. É permitido usar camiseta de candidato? Pode levar o celular para a cabine? O que caracteriza infração? Na prática, situações como a obrigatoriedade de entregar o smartphone desligado ao mesário, a validação de documentos oficiais com foto sem a apresentação do título impresso e os critérios de acompanhamento para eleitores com deficiência ainda geram bastante incerteza no momento do voto.

Segundo estatísticas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o contingente eleitoral apto a participar do pleito de 2026 ultrapassa 158,7 milhões de cidadãos em todo o território nacional. Nesta votação, o eleitorado define seus representantes para seis cargos públicos: a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas estaduais ou distrital. Para garantir o exercício da cidadania com tranquilidade, o conhecimento das normas legais é o primeiro passo.

O ato de votar representa o exercício pleno da soberania popular garantida pela Constituição Federal. O texto constitucional assegura que o direito ao voto é universal e exercido de forma direta e secreta, mecanismo criado para proteger a livre escolha do cidadão contra pressões ou coerções.

Segundo o advogado, mestre em Direito Constitucional e professor da Faculdade Baiana de Direito, Diogo Guanabara, a preservação do sigilo é indispensável para a integridade da democracia. "O sigilo do voto é uma garantia fundamental para proteger o cidadão, permitindo que a escolha democrática ocorra livre de constrangimentos, ameaças ou ingerências externas no momento de exercer a sua vontade perante a urna", salienta Guanabara.

No dia do pleito, a legislação permite a manifestação individual e silenciosa da preferência política. O eleitor pode utilizar broches, adesivos, bandeiras e camisetas de seus candidatos escolhidos. Por outro lado, são proibidas as aglomerações de pessoas com vestuário padronizado até o encerramento da votação, prática caracterizada pela lei como manifestação coletiva.

Proibições na cabine de votação e condutas ilícitas

A atenção deve ser redobrada ao se aproximar da urna eleitoral. A legislação veda estritamente o ingresso de aparelhos celulares, câmeras fotográficas, filmadoras ou qualquer dispositivo capaz de comprometer o sigilo do voto dentro da cabine. Esses equipamentos devem ser desligados e entregues aos mesários antes do momento da votação.

Fora da cabine, a prática conhecida como boca de urna, a distribuição de panfletos (santinhos), o uso de alto-falantes e a realização de comícios ou carreatas no dia da eleição são condutas categoricamente proibidas. Da mesma forma, publicar novos conteúdos de propaganda política ou impulsionar postagens nas redes sociais no dia do pleito afronta a legislação vigente.

Infrações e as penalidades previstas na lei

O descumprimento das normas gera graves consequências jurídicas aos infratores. A prática de boca de urna e o aliciamento de eleitores configuram crimes eleitorais previstos na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). As penalidades incluem detenção de seis meses a um ano, com a possibilidade de aplicação de prestação de serviços à comunidade, além de multa.

O doutor em Ciências Sociais, mestre em Direito Público e professor de Direito Eleitoral da Faculdade Baiana de Direito, Jaime Barreiros Neto, detalha o rigor do sistema de fiscalização sobre as infrações no dia da votação. "A legislação eleitoral busca preservar a legitimidade do pleito, e qualquer tentativa de coagir ou influenciar indevidamente o eleitor no dia da votação enseja sanções penais rígidas, incluindo a prisão em flagrante daquele que descumprir as vedações estabelecidas", alerta Barreiros Neto.

Tentativas de fotografar ou filmar a urna também podem resultar na retenção do aparelho e na instauração de processo criminal por violação do sigilo do voto. Para votar com segurança, o eleitor deve levar documento oficial com foto (ou e-Título com foto e biometria já cadastrada), a colinha impressa em papel com os números de seus candidatos e respeitar as determinações das autoridades eleitorais presentes na seção.

Como denunciar irregularidades e ilícitos no dia da votação

A fiscalização do processo eleitoral conta com o apoio direto da população, que dispõe de canais oficiais para registrar irregularidades presenciadas antes ou durante o dia do pleito. A principal ferramenta digital é o aplicativo Pardal, desenvolvido pela Justiça Eleitoral e disponível gratuitamente para smartphones. Por meio dele, qualquer cidadão autenticado pelo e-Título ou conta Gov.br pode enviar denúncias de propaganda irregular, anexando fotos, vídeos ou localização do fato, com a garantia de sigilo da sua identidade.

Para situações que configurem crimes eleitorais mais graves, como compra de voto, coação ou abordagem de boca de urna no dia da votação, a comunicação deve ser feita diretamente aos canais do Ministério Público Eleitoral (MPE) de cada estado ou às autoridades policiais e juízes eleitorais presentes nos locais de votação. Caso a infração esteja ocorrendo em flagrante nas imediações da seção, o eleitor pode acionar os fiscais da Justiça Eleitoral ou os agentes de segurança pública de plantão para a adoção imediata das medidas cabíveis.