É impressionante como o modus operandi das figuras públicas tende a se repetir. A forma de agir se torna uma marca registrada, quase como uma impressão digital que carrega nas pontas dos dedos a verdadeira identidade de quem a possui. Na política de Jequié, essas nuances saltam aos olhos.
A cidade testemunhou a ascensão de uma figura de ambições desmedidas na administração municipal: Zé Cocá. Trata-se de um político que ganhou notoriedade ao projetar sua imagem à sombra de Rui Costa, aliança que o catapultou ao cargo de prefeito. No entanto, não tardou para que ele se distanciasse daquele que viria a comandar a Casa Civil e ser eleito Senador da República.
Ao longo do mandato, somando a gestão da cidade aos expressivos recursos do governo que trouxeram melhorias para o município e região, viu-se um forte investimento em marketing e propaganda. A sensação que ficou para muitos era a de uma cidade maquiada, pronta para a foto de capa e para os dias de festa. O tempo passou e o pragmatismo deu lugar à vaidade política: almejou alçar voos mais altos, visando a vice-governadoria e colocando a representatividade da região no balcão de negociações, respaldado pela expressiva votação que obteve.
Ao lado de ACM Neto, Zé Cocá experimentou uma amarga derrota na disputa pelo Governo do Estado. O que espantou a muitos foi a audácia nas articulações: após chegarem a produzir material de campanha alinhado à imagem do presidente Lula, vieram a público declarar apoio a Flávio Bolsonaro logo após o resultado das urnas. Uma verdadeira reviravolta que demonstrou a volatilidade de suas alianças.
Para viabilizar esse projeto pessoal de poder, a prefeitura foi renunciada e o comando do município entregue ao seu sobrinho, Flávio, deixando Jequié sem a figura de um vice-prefeito e sujeita a uma linha de sucessão puramente familiar. A cidade assiste agora a uma transição questionável: um governo sob o comando de uma gestão jovem e sem a experiência necessária, alimentada por vídeos publicitários descolados da realidade do munícipe.
Bem-vindo à realidade, nobre gestor. A Jequié que o senhor parece não ter tido tempo de conhecer é a mesma que custeia o seu subsídio e a estrutura ao seu redor. É a mesma cidade que assiste a viagens ao exterior com ares de nobreza e a celebrações em outros CEPs, enquanto a população local arca com a conta dessa festa. O jequieense conhece bem a sua terra, e não se deixa enganar por roteiros bem ensaiados.
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