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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Ilê Aiyê brilha e desfila beleza negra com autoridade


Elegância, brilho e poder. Assim o Ilê Aiyê desfilou pela segunda vez no Circuito Osmar, na noite desta segunda-feira (16). O público presente no Campo Grande assistiu a uma passagem marcada por beleza, autoridade e charme.

Responsável por mudar a concepção do belo na sociedade baiana, o bloco afro mais antigo do Brasil mostrou, mais uma vez, sua força. Turbantes que coroam a autoridade, maquiagens marcantes e sorrisos inesquecíveis: não houve quem não ficasse radiante ao ver o Ilê Aiyê.
Homens e mulheres, de cabeça erguida, exibiam sua beleza. Cada um com sua individualidade, a multidão compunha um mar de gente pronta para reafirmar a revolução estética protagonizada pela instituição no Carnaval de Salvador e, de maneira mais ampla, em toda a sociedade brasileira.

A prova dessa descrição apareceu no relato de Elisângela Dantas, moradora do Matatu. Ainda na concentração do bloco, no Campo Grande, a operadora de processos petroquímicos se emocionou ao falar do Ilê Aiyê, mostrando o braço arrepiado. Na ocasião, foi firme e direta ao afirmar que se sente linda.
“Primeiramente, eu me sinto linda. Eu me sinto muito bem no meio de tanta gente bonita, de tantos pretos e pretas organizados, perfumados, gente que trabalha o ano todo para viver esse momento, em que as pessoas param para nos ver, para tirar uma foto e dizer: ‘Nossa, você está linda’. Eu fico muito feliz por poder viver essa sensação”, disse Elisângela.
Sozinhos, com amigos ou em família, a espera dava ainda mais charme aos associados concentrados ao redor do trio. De forma impactante, chegou o casal Miguel Catarino, de Cajazeiras, e Natalie Kelly, de Marechal Rondon. Juntos, relataram a importância da instituição em suas vidas.
“A gente está aqui para representar essa beleza, a minha ancestralidade negra. Eu trago o Ilê como uma herança de família. Minha mãe sempre desfilou no Ilê. Hoje, meu pai e meus irmãos também estão aqui. Já é uma tradição familiar. O Ilê é empoderamento, valoriza a cultura e promove o fortalecimento do povo negro”, disse Miguel.
Desfilando pela primeira vez, Natalie revelou que vive a realização de um sonho. Desde pequena, ao ver a mãe sair no bloco, admirava e cantava todas as músicas. Ela também destacou o sentimento singular de vestir a fantasia e acompanhar a saída do Ilê, no Curuzu, realizada no sábado (14).
“Eu fico muito emocionada, porque é o meu primeiro ano desfilando no Ilê. Estou muito feliz. Nunca tinha vindo para a avenida; sempre acompanhava pela televisão. Na primeira oportunidade que tive de ir à saída do Ilê e ver aquilo, senti o corpo arrepiar e o coração estremecer, como se percebesse que pertenço a isso. Eu sabia que precisava estar aqui e viver esse momento com o meu povo preto”, contou Natalie, com os olhos marejados.
Um dos maiores símbolos estéticos do Ilê Aiyê é a escolha da Deusa do Ébano. Para o Carnaval 2026, a honra ficou com a estudante de jornalismo Carol Xavier, de 27 anos. Enquanto se preparava, no sábado, para a tradicional saída, não escondia o sorriso nem a ansiedade por representar uma multidão de mulheres pretas espalhadas pelo Brasil.
“Esse lugar de Deusa vai muito além da expressão corporal por meio da dança. É transmitir uma mensagem sobre a importância que isso tem para as crianças e para as mulheres das comunidades — aquelas que um dia quiseram ser deusa ou que ainda querem ocupar esse espaço. Para as crianças, é oferecer uma nova perspectiva de vida, um olhar diferente, colocá-las nesse lugar de que também podem ser deusas, podem ser potência — ainda que não seja exatamente nesse papel, mas em outros espaços da vida”, relatou.
A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) valoriza e atua pela manutenção das raízes afro-brasileiras no Carnaval por meio do Ouro Negro, programa de incentivo aos blocos de matriz africana.

Crédito: Ascom SecultBA

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