"A Associação Casa das Mulheres vem a público repudiar os representantes da Câmara de Vereadores de Jequié, referente a subvenção. Informamos que não aceitaremos mais o recurso. Reconhecemos a importância do apoio do poder público e valorizamos a iniciativa, mas os valores apresentados são insuficientes para atender às reais necessidades de manutenção e funcionamento da instituição. Trata-se de uma decisão técnica, ética e coerente com a responsabilidade institucional assumida junto às mulheres atendidas.
A instituição atua diretamente no enfrentamento da violência contra a mulher, oferecendo assistência social, apoio psicológico, jurídico e acolhimento noturno gratuitamente, sendo um suporte essencial para reconstrução de vidas marcadas por violações graves de direitos. Esse trabalho exige recursos humanos qualificados, estrutura adequada e financiamento continuo. Valores simbólicos não apenas deixam de suprir essas necessidades, como evidenciam a falta de prioridade atribuída à causa, revelando não apenas descaso, mas uma profunda insensibilidade social diante de uma epidemia de violência contra as mulheres, principalmente no município de Jequié e região.
Destinar recursos mínimos a uma instituição que acolhe mulheres em situação de violência extrema não é apenas uma decisão orçamentária, é uma escolha política. É afirmar, na prática, que a dor, o medo, as marcas físicas e emocionais e o risco de morte enfrentados diariamente por nós mulheres não são prioridade. Quando o poder legislativo opta por repassar valores que não cobrem nem os custos básicos de funcionamento, transmite uma mensagem clara: a vida e a dignidade dessas mulheres valem muito pouco.
Aceitar essa subvenção seria legitimar uma política de negligência, seria compactuar com a ideia de que "cumprir tabela" ou "tampar o sol com a peneira" bastam, enquanto mulheres seguem sendo desassistidas, retornando para ambientes violentos por falta de alternativa. A instituição se nega a ser usada como instrumento de discurso vazio, quando o que se exige são ações concretas, comprometidas e proporcionais à gravidade do problema.
Esta recusa é, portanto, um ato de denúncia. Denúncia de um sistema que insiste em tratar a violência contra a mulher como um problema secundário. A instituição seguirá firme em sua missão, mas não se calará diante da omissão do poder público. Por Mulheres vivas, livres e sem medo!", diz a nota.

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