No fundo, o debate político no Brasil ficou simples demais — quase constrangedor. Como ensinaria o velho cínico Diógenes de Sinope, às vezes basta andar com uma lanterna em pleno dia para procurar algo raro: a honestidade do argumento.
_Hoje, a política brasileira parece reduzida a dois votos: o voto em Luiz Inácio Lula da Silva e o voto no anti-Lula. Todo o resto é variação retórica._
Porque, se formos ao concreto — e aqui entraria o método materialista de Karl Marx — o que decide eleição não é grito ideológico, é vida material: emprego, comida, renda, políticas públicas.
_E é aí que a contradição aparece._
A extrema-direita brasileira terá uma tarefa curiosa: convencer o povo de que o Vale Gás (programa social brasileiro), que poderá chegar há 15 milhões de famílias, é ruim — e que o bom mesmo é pagar o gás cheio..., quer rir!?
Terá que explicar que gasolina a seis reais é um problema, mas que acima desse valor — como no final do governo do presidiário da solda— era o verdadeiro caminho da prosperidade.
Terá também que ensinar ao trabalhador que o Minha Casa Minha Vida, que já beneficiou milhões de brasileiros, é um erro histórico — e que o correto seria sonhar com condomínios fechados que jamais poderá pagar.
Ou seja: terão que convencer o povo de que melhorar a vida é ruim — e piorar é que era bom..., quer rir!?
_E é por isso que o debate precisa ser pedagógico._
Não pedagógico no sentido professoral ou acadêmico, mas no sentido mais simples: olhar os dados, olhar a vida concreta e perguntar ao povo uma coisa elementar.
Quem governou para o mercado? E quem governou para que o povo pudesse viver?
No final das contas, como diria Marx, a realidade material costuma ser teimosa. E como lembraria Diógenes, quando a verdade aparece à luz do dia, o cinismo deixa de ser insulto — e vira método de desmascaramento.
Porque às vezes a política não precisa de ideologia complicada.
Só precisa perguntar:
sua vida melhorou ou piorou?
___
_Joilson Bergher/Professor na Área das Ciências Sociais no Brasil!_

.png)

Nenhum comentário:
Postar um comentário