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| Imagem da imprensa local. Click na legenda e veja os vários acidentes da BR-330 |
A noite desta terça-feira (3) vestiu mais uma vez o Médio Rio das Contas de luto. Na infame e sinuosa Curva do Engenho, na saída de Ipiaú sentido Jitaúna, a violência do trânsito ceifou a vida de Edvaldo dos Reis, o querido "Couro Véi", aos 61 anos. Homem trabalhador da região do Alecrim, empurrava ou pedalava sua bicicleta rumo à rotina quando teve o destino abreviado por uma colisão com uma motocicleta. Mais um pai de família que vira estatística em uma rodovia que há muito tempo cobra o seu preço em sangue.
Não se trata de fatalidade pura e simples. O que acontece na BR-330 é uma crônica trágica e anunciada de descaso estrutural.
A Rodovia da Morte e a Inércia das Autoridades
Quem trafega pelo trecho entre Ipiaú, Jitaúna e Jequié sabe o calvário que é enfrentar a BR-330. A estrada é um verdadeiro teste de paciência e sobrevivência. É um rosário de cruzes fincadas à beira da pista que aumenta a cada mês, impulsionado por fatores que saltam aos olhos de quem passa, mas parecem invisíveis aos gabinetes de Brasília e Salvador:
A ausência criminosa de acostamento: Em grande parte do trajeto, o asfalto acaba onde o mato começa. Ciclistas, pedestres e trabalhadores rurais — como era o nosso "Couro Véi" — dividem o mesmo centímetro de perigo com carretas pesadas e motocicletas. Sem espaço para trafegar, a margem da pista virou uma zona de tiro ao alvo.
Falta de terceira faixa em pontos sinuosos: Trechos de relevo acidentado e curvas fechadas, a exemplo da própria Curva do Engenho, exigem ultrapassagens arriscadas. A falta de faixas adicionais para veículos lentos afunila o tráfego, gera impaciência, manobras na base do desespero e tragédias frontais incalculáveis.
Sinalização precária e buracos: A buraqueira intercalada com um asfalto mal recuperado obriga motoristas a desviarem na contramão, transformando a rodovia em uma roleta-russa diária.
O Grito que Precisa Ecoar
Até quando? Quantos "Couros Véis", quantos pais e mães de família precisam ser tragados pelo descaso para que as autoridades levantem a bunda da cadeira e olhem para o Sul e o Sudoeste baiano? O DNIT e os governos parecem esperar que o fluxo de sangue pinte o asfalto de ponta a ponta antes de duplicar, sinalizar ou construir acostamentos seguros.
Enquanto a burocracia lerdeia, o povo chora. Fica aqui o registro indignado e a solidariedade à família de Edvaldo dos Reis. Que a dor dessa partida sirva de chacoalhão para acordar a fiscalização e cobrar obras urgentes. Porque, do jeito que está, a BR-330 continua transformando o direito de ir e vir em uma passagem sem volta. O senador eleito Rui Costa anunciou uma reforma para esta via, que de fato ainda não aconteceu.
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