Como convidados, estiveram presentes no debate o produtor e empresário André Bomfim, o cantor Paulinho Jequié, o presidente da Associação dos Músicos de Jequié, Caio Monteiro, o ator e produtor Jomir Gomes e o produtor e ex-secretário de Cultura e Turismo, Alysson Andrade.
De acordo com o cantor Paulinho Jequié, o atual prefeito, Flávio Santana, precisa analisar seriamente a possibilidade de promover mudanças urgentes na gestão local da cultura, visto que, nas palavras dele: “há cinco anos os artistas vêm sendo perseguidos pela atual gestão e sendo punidos por falhas técnicas de responsabilidade da Secretaria de Cultura, bem como na contratação de músicos para o São João, além de erros no processo de seleção de projetos custeados com recursos do Programa Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Fiz a minha inscrição para um Edital numa categoria de shows musicais, e sem qualquer comunicação prévia, me colocaram em outra categoria e me destinaram pra tocar em um local sem público. Estou pagando impostos de um projeto cujo recurso não é dedutível segundo à lei. Reclamei ao secretário e ele ignorou o assunto sem dar uma solução”, reclamou o cantor.
Segundo Caio Monteiro, a Secretaria Municipal de Cultura está vivendo um caos que não é mais possível ser continuado, diante de tanto sofrimento que os artistas têm passado ao longo dos últimos anos. Para ele, “a Secretaria de Cultura tem priorizado projetos de uma turma bastante específica, enquanto projetos como o “Som na Praça”, que foi idealizado por mim com a garantia de apoio do ex-prefeito Zé Cocá, foram boicotados pelo secretário. Os artistas não têm conseguido o apoio da prefeitura pra nenhum projeto com recursos próprios do município, a não ser que exista um interesse político da gestão, como se fosse um balcão de barganha.
Após recitar um poema de Waly Salomão (1943-2003), o ator e produtor Jomir Gomes seguiu na mesma linha de críticas à gestão da Secretaria de Cultura e Turismo, destacando à necessidade de conclusão do Plano Municipal de Cultura e da implementação efetiva do Fundo Municipal de Cultura (FUMAC), pedindo, ainda, mais respeito e valorização por parte da prefeitura em relação às pessoas que trabalham com arte em Jequié.
Já André Bomfim, reforçou a necessidade de uma visão mais adequada da prefeitura de Jequié quanto à condução da gestão do setor cultural local. Para Bomfim, ao citar dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “a cultura é um importante setor produtivo que representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB). André também citou uma comparação econômica entre a cultura e o setor automobilístico que ganhou grande destaque no Brasil a partir de estudos que comprovaram que o Produto Interno Bruto (PIB) da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas superou a participação da indústria automotiva nacional. Por ser uma cidade polo do Território Médio Rio das Contas, o Município de Jequié não pode perder o protagonismo que teve até o ano de 2020, por conta da ausência de seriedade na condução política e administrativa da Secretaria de Cultura e Turismo.
Por fim, o produtor Alysson Andrade destacou o descaso generalizado para com o setor cultural que ocorre desde o ano de 2021, destacando o fato de a Secretaria de Cultura e Turismo não ter sequer uma sede administrativa, atualmente funcionando em dois endereços distintos, o que prejudica a prestação do serviço público aos (às) cidadãos (ãs). De acordo com Alysson Andrade, “as políticas públicas construídas no seio da sociedade entre 2017 e 2020, muitas delas objeto de leis municipais vigentes, foram propositalmente descontinuadas, gerando um impactando bastante negativo. Em relação ao patrimônio histórico, temos assistido tentativas reiteradas de destombamentos dos bens culturais tombados ou registrados, o que facilita o apagamento da memória jequieense”, disse.
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