terça-feira, 9 de junho de 2026

Por Joilson Bergher. Jequié no chão, enquanto o desenvolvimento voa: desenvolvimento não pousa onde não há aeroporto


Segundo estimativas recentes do IBGE, Jequié possui uma população superior a 169 mil habitantes. Trata-se de uma das mais importantes cidades do interior da Bahia, polo regional de comércio, saúde, educação e serviços. Ainda assim, um gargalo histórico continua limitando seu potencial de crescimento: a ausência de um aeroporto regional plenamente estruturado e operacional.

Foi muito pertinente o debate promovido pelo jornalista Zinilton Meira e pelo comunicador Ricardo Brito, na Rádio Contas FM, ao levantarem uma questão fundamental: qual a importância de um aeroporto para Jequié?

A resposta é simples: desenvolvimento. Uma cidade que concentra hospitais, clínicas especializadas, universidades, concessionárias, centros comerciais e que atende dezenas de municípios da região não pode continuar isolada dos grandes fluxos de negócios, investimentos e turismo. Um aeroporto não é luxo; é infraestrutura estratégica.

A ausência de um aeroporto funcional tem consequências concretas. Empresas encontram mais dificuldades para se instalar na cidade, investidores tendem a buscar regiões com melhor conectividade, eventos de grande porte deixam de ser realizados, o turismo perde competitividade e pacientes que necessitam de tratamentos especializados ou deslocamentos urgentes enfrentam obstáculos adicionais. Além disso, profissionais, empresários, pesquisadores e visitantes precisam recorrer a aeroportos de outras cidades, aumentando custos, tempo de viagem e reduzindo a atratividade econômica de Jequié.

É preciso que a Câmara de Vereadores, os deputados estaduais e federais que afirmam representar Jequié, o setor empresarial, as entidades da sociedade civil e o Governo do Estado assumam suas responsabilidades. Não se trata de uma demanda partidária, mas de uma necessidade regional.

A pergunta que muitos fazem é inevitável: por que Jequié, com toda a sua importância econômica e social, continua sem uma solução definitiva para seu aeroporto, enquanto cidades vizinhas avançam em conectividade aérea e atração de investimentos?

Ninguém deseja estabelecer uma disputa com Vitória da Conquista, cidade irmã que possui um dos melhores aeroportos do país e que merece todos os investimentos recebidos. O que se reivindica é que Jequié também tenha condições adequadas para impulsionar sua própria economia e fortalecer sua capacidade de atender a população regional.

A solução passa pela união de esforços. É necessário apresentar um projeto técnico consistente, buscar recursos federais e estaduais, mobilizar a bancada parlamentar, envolver o setor produtivo e transformar a questão do aeroporto em prioridade permanente da agenda pública.

Jequié tem população, tem economia, tem capacidade empreendedora, tem vocação regional e tem gente trabalhadora. O que falta é vontade política coletiva para transformar essa demanda histórica em realidade.

Mais do que uma obra de infraestrutura, o aeroporto de Jequié é uma questão de compromisso político com o desenvolvimento regional. Chegou o momento de vereadores, deputados, lideranças empresariais e governos deixarem os discursos de lado e assumirem uma agenda concreta em defesa da cidade. Jequié não pode continuar assistindo ao avanço de outras regiões enquanto aguarda soluções que se arrastam há décadas. Quem pretende representar este povo precisa transformar essa pauta em prioridade permanente, articulando investimentos, cobrando resultados e construindo consensos.

O desenvolvimento não acontece por acaso; ele é fruto de decisão política, planejamento e compromisso com o futuro. Jequié já demonstrou sua importância econômica e social. Agora, precisa que suas lideranças estejam à altura dos desafios e das expectativas de sua população. O futuro de Jequié não pode continuar aguardando autorização para decolar.


_Joilson Bergher_

_Analista Crítico de Política e Sociedade_.

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