quinta-feira, 4 de junho de 2026

Qual a necessidade de um aeroporto regional se não exportamos nem importamos nada?

 

Por Zenilton Meira




A ideia de um aeroporto regional na microrregião de Jequié virou narrativa política no atual cenário que contrapõe o ex-prefeito do município ao Governo do Estado. Se analisarmos friamente, constatamos que não temos o que exportar nem o que importar. Além disso, o antigo e útil Aeroporto Vicente Grillo não possui sequer uma linha regular de passageiros desde 1984, sendo utilizado exclusivamente para pousos e decolagens de aeronaves particulares, UTI aérea e transporte de valores.

Esse tema não condiz com as reais e atuais necessidades de Jequié, que hoje ocupa a posição de 11ª cidade mais desenvolvida da Bahia. Se Jequié, que é a sede regional, não apresenta essa demanda, imagine os municípios vizinhos, que são economicamente vulneráveis, sobrevivem do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e não geram divisas de grande relevância.

Pensando pelas vertentes de desenvolvimento que já estão surgindo — como a duplicação da BR-116 e a futura ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica —, toda a logística regional passará por uma mudança, com uma mobilidade urbana e intermunicipal muito mais dinâmica. Isso diminuirá sistematicamente o tempo de viagem tanto para a capital baiana quanto para Vitória da Conquista. Essa futura adequação logística pode, por si só, esvaziar os argumentos que defendem a construção de um aeroporto regional entre os territórios do Médio Rio das Contas e do Vale do Jiquiriçá.

Um ponto lógico que reforça esse entendimento ganha força quando observamos que os investimentos estimados para viabilizar essa narrativa política ultrapassam a cifra dos R$ 80 milhões — um prato cheio para que políticos conquistem holofotes nas redes sociais. Refletindo com inteligência: se o aeroporto de Jequié tivesse procura diária por voos, com aviões vindos de várias partes do Brasil e cargueiros transportando o umbu de Manoel Vitorino, a produção de mel de Lafaiete Coutinho ou a safra de melancia da área irrigada da Barragem da Pedra, a ideia de um aeroporto regional seria plenamente justificável. No entanto, a realidade é outra.

Atualmente, o município de Jequié vê, principalmente, os seus jovens buscarem opções de emprego e renda em outras capitais da federação. A cidade carece de oportunidades. “Aqui só sobrevivem os fortes”, desabafou recentemente um empresário local. Para completar, a violência tem afastado parte da população das praças públicas, enquanto comerciantes, sufocados pelos aluguéis altos do Centro e pelas taxas de estacionamento (Zona Azul), optam por montar seus negócios nas próprias residências.

A concorrência dos tempos atuais — impulsionada por plataformas como Mercado Livre, Shopee, Amazon e Mercado Pago — mudou sistematicamente o comportamento de consumo no país. Os moradores dos municípios, principalmente os menores, têm utilizado esses canais para adquirir produtos, muitas vezes por preços bem abaixo dos praticados no comércio local.

É preciso colocar os pés no chão e focar no que realmente importa: atrair indústrias para gerar emprego e renda para a nossa economia, além de resolver os graves problemas sanitários e de mobilidade urbana de nossa cidade. A limpeza pública está precária, com terrenos baldios entulhados de lixo, e a saúde pública amarga uma decadência que já dura décadas.

A procura e a demanda dependem diretamente uma da outra para se expandirem. Se não há procura por voos diários, não faz sentido se preocupar em oferecer essa estrutura para uma população que, a cada dia, se desloca menos até a capital do estado. Prova disso é que as próprias linhas de ônibus de Jequié para Salvador vêm registrando uma queda constante no número de passageiros. A logística aérea de Jequié para Salvador, além de ser um serviço caro, não encontra qualquer sustentação na nossa atual realidade econômica.

5 comentários:

avança jequie disse...

Inacreditável tudo que eu li aqui.Não conheço nenhuma cidade que se desenvolveu sem investimento em infraestrutura, o que incluí, além de uma malha viária minimamente eficiente, uma área para ampliação futura do centro industrial,inexistentes em Jequié,e claro, um aeroporto, que e fundamental, facilitando a o deslocamento de empresários interessados em investir na cidade e o público em geral de toda região, que incluí não só Jequié, com toda a região do Vale do Jiquiriçá. Incrível, com tem gente da própria cidade com este pensamento.

Zenilton Meira DRT/BA 1.562 disse...

No debate sobre o desenvolvimento de Jequié e dos territórios Médio rio das contas e Vale do Jiquiriçá, a eficiência econômica deve superar o desejo por obras redundantes. Defender a criação ou o uso de um aeroporto a mais de 50 km de distância, tendo um aeródromo local já funcional, ignora a principal vantagem da aviação de negócios: o tempo. Obrigar um investidor a pousar longe e enfrentar quase uma hora de estrada para chegar ao centro industrial da cidade anula o dinamismo que o empresariado busca.

Além disso, a lógica de mercado exige foco estratégico e responsabilidade com o dinheiro público. Aeroportos possuem custos altíssimos de manutenção e homologação; por isso, em vez de pulverizar recursos em uma nova estrutura distante, o caminho inteligente é concentrar os investimentos na modernização, ampliação e balizamento noturno da pista que a cidade já possui. Potencializar a estrutura atual entrega um resultado muito mais rápido e barato do que criar um novo projeto do zero.

Por fim, manter o aeroporto operando localmente consolida Jequié como o verdadeiro polo central da região, fortalecendo sua identidade logística. Direcionar os voos para outra localidade enfraquece a centralidade do município e divide o vetor de crescimento com outras áreas. Infraestrutura inteligente não significa fazer mais obras, mas sim otimizar com precisão o que já está de pé para conectar a microrregião de Jequié ao restante do país.

claudio louzada disse...

O formato e o destino de cada cidade sempre foram definidos pela sua capacidade em termos de transporte. Nos dias de hoje, isso diz respeito especificamente ao transporte aéreo.

claudio louzada disse...

- A fim de, se adequar rapidamente a aeronaves maiores comerciais e executivas de alta performance e também não ficar refém de apenas uma empresa aérea ou modelo de aeronave, vários municípios estão abandonando o conceito brasileiro de aeroporto com a PISTA MÍNIMA REGIONAL de 1.600 x 30m e adequando suas Pistas para a BÁSICA de 1.800 x 45m de comprimento com alta resistência do piso, desse modo, operando sem nenhuma restrição. 18 municípios brasileiros estão em obras de adequação.

- Jequié tem hoje pista disponível de 1.125 x 23m com ultrabaixa resistência do piso, características até inferior a pista mínima sub-regional de 1.200 x 30m. O site aeroportuário está completamente ultrapassado e impede a expansão.

claudio louzada disse...

Infelizmente, a antiaérea SEINFRA-BA segue rejeitando conceitos básicos de desenvolvimento aeroportuário, seus projetos são sempre com parâmetros mínimos dos requisitos aeronáuticos como a insistência de pista abaixo de 2.200m de comprimento e 45m de largura (2.200 x 45m) em cidades grandes do estado como Jequié, Feira e Barreiras. E recusa o conceito brasileiro de pista básica de 1.800 x 45m nas cidades médias.

Qualquer engenheiro do setor sabe que pista de pouso de ou acima de 1.800m de comprimento deve ter 45m de largura, a SEINFRA-BA faz que não sabe e Feira de Santana e Barreiras também terão pistas de 30m de largura. Lamentável!!!