terça-feira, 28 de abril de 2026

FNDE Convoca ex-prefeitos de Jequié para prestarem contas de obras inacabadas


O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) emitiu uma convocação oficial direcionada aos ex-prefeitos de Jequié, Luiz Carlos Souza Amaral e Tânia Diniz Corrêa Leite de Britto, exigindo esclarecimentos sobre irregularidades em convênios do PAC 2. O documento foca na ausência de prestação de contas e na paralisia de obras que receberam repasses federais significativos, mas não foram entregues à comunidade. A medida busca identificar a responsabilidade pela interrupção dos projetos e assegurar que os gestores respondam administrativa e financeiramente pelo uso dos recursos públicos destinados à infraestrutura educacional do município.

O relatório técnico detalha o abandono de quatro intervenções críticas, sendo a mais antiga a construção de uma quadra coberta no Loteamento Cidade Nova, iniciada em 2012, que permanece com apenas 51% de execução física. Outras obras citadas incluem a cobertura da quadra na Urbis IV (Jequiezinho), com 69% de conclusão, e duas estruturas vinculadas ao PAC 2 nos bairros Caixa D’Água e Joaquim Romão, que não ultrapassaram os 60% de andamento. Em todos os casos, o governo federal já havia desembolsado cerca de metade dos valores previstos, evidenciando um descompasso severo entre o capital investido e a realidade das construções.

O impacto desse cenário é sentido diretamente pela população estudantil de Jequié, que é privada de espaços adequados para atividades pedagógicas e esportivas devido à descontinuidade administrativa. A situação reflete um problema crônico na gestão pública brasileira: obras que atravessam diferentes mandatos sem serem finalizadas, resultando em estruturas deterioradas pelo tempo e no desperdício de dinheiro público. O FNDE ressalta que a falta de regularização pode acarretar sanções severas aos envolvidos, incluindo a obrigação de devolução integral das verbas corrigidas, caso fiquem comprovadas irregularidades na aplicação.

Ao reabrir esses processos, o órgão federal reforça a cobrança por maior eficiência e ética na execução de políticas públicas municipais. O caso de Jequié serve como um alerta sobre a importância da continuidade administrativa, independentemente das trocas de grupos políticos no poder. O debate agora gira em torno da capacidade de resposta dos ex-gestores e da possibilidade de retomada dessas estruturas, para que os esqueletos de concreto inacabados deixem de ser um símbolo de descaso e passem a cumprir sua função social de educar e integrar a juventude local.

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