O Loteamento Vila Aeroporto virou o cenário de um roteiro que o jequieense já conhece bem: a novela do "quem é o dono da obra". De um lado, a comunidade protesta com o pé no barro e o nariz na poeira; do outro, a Prefeitura de Jequié solta nota oficial para dizer que sua parte está feita e que o "abacaxi" agora pertence à CODEVASF. Enquanto os órgãos públicos se cercam de termos técnicos e burocracia, o morador do Jequiezinho fica no meio do fogo cruzado, esperando uma pavimentação que parece ter ficado travada em algum escaninho de Brasília ou Salvador.
A explicação municipal é de uma conveniência cirúrgica. Ao citar que a primeira etapa foi concluída via DNOCS e que a segunda travou na mão da empresa PJ e da CODEVASF, o Palácio de Cristal tenta lavar as mãos no Rio das Contas. É o clássico "fiz a minha parte, cobre de lá". No entanto, para quem paga IPTU e sofre com a lama na porta de casa, pouco importa se o recurso vem de emenda parlamentar do deputado Leur Lomanto ou de convênio federal; o que importa é o asfalto no chão e a dignidade restabelecida.
O tom da nota da Secretaria de Infraestrutura é um misto de justificativa e desabafo administrativo, mas no fundo revela a fragilidade política de uma gestão que depende de terceiros para entregar o básico. Se a empresa contratada pediu destrato e a CODEVASF silencia diante das "reiteradas solicitações", o que se vê é um vácuo de autoridade e uma falta de prestígio que sacrifica o bem-estar da população. O projeto foi atualizado e enviado, dizem eles. Mas papel aceita tudo; o que o povo do Vila Aeroporto não aceita mais é cronograma fantasma.
No fim das contas, a manifestação desta sexta-feira é o grito de quem cansa de ser jogado de um lado para o outro como bola de pingue-pongue institucional. A Prefeitura reafirma o compromisso com a transparência, mas o que o cidadão quer mesmo é transparência na prestação de contas com as máquinas roncando na rua. Enquanto a resposta positiva da CODEVASF não vem, a única coisa que continua em plena execução no Vila Aeroporto é a paciência do povo, que, como todos sabemos, tem limite.

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