A soberania, sob a ótica de uma América Latina que desperta, deixa de ser um conceito jurídico estático para tornar-se uma práxis de resistência. Sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil retoma seu papel histórico não como um [hegemon] impositivo, mas como o fiel da balança de um projeto de autonomia regional.
A compreensão de que o destino de Brasília está intrinsecamente ligado ao de Caracas, Bogotá e Buenos Aires é o que define a nova doutrina brasileira: uma soberania compartilhada que entende que nenhum país do Sul Global será plenamente livre enquanto seus vizinhos estiverem sob o jugo da desestabilização externa.
Neste cenário, o Brasil se posiciona como o guardião de um patrimônio que ultrapassa as fronteiras geográficas: a dignidade do povo latino-americano e a proteção de suas riquezas naturais. A liderança de Lula atua como um escudo diplomático e político contra as investidas de potências que enxergam o continente apenas como um almoxarifado de matérias-primas e uma fonte de mão de obra precarizada.
Ao fortalecer instituições como a UNASUL e priorizar o diálogo multilateral, o governo brasileiro sinaliza que a era das intervenções unilaterais e dos golpes orquestrados encontrará no gigante sul-americano uma barreira intransigente de legalidade e autodeterminação.
O enfrentamento a essa política decadente de exploração exige uma clareza filosófica sobre o que significa ser uma nação no século XXI. Não há soberania real sem o controle sobre a própria matriz energética, alimentar e tecnológica. O projeto liderado por Lula busca precisamente romper com a "ferida colonial" que insiste em sangrar a América Latina através de dívidas impagáveis e sabotagens institucionais.
Ser o guardião da América significa, portanto, liderar a transição para um modelo de desenvolvimento que coloque o trabalho acima do capital especulativo e a vontade popular acima das ordens emanadas dos centros de poder do Norte Global.
A caminhada rumo a 2026 apresenta-se como a prova de fogo para a democracia continental. O Brasil, sob a égide do PT e de suas frentes amplas, é o alvo principal porque sua estabilidade garante a viabilidade de governos progressistas em toda a região, como o de Gustavo Petro na Colômbia. Manter a liderança de Lula é assegurar que a América Latina não retroceda ao status de colônia.
A consciência histórica nos ensina que a liberdade é uma conquista diária; e a soberania brasileira, neste momento, é a garantia de que o sonho de uma pátria grande, justiça e altiva permanece vivo e combativo frente às sombras do passado que tentam retornar.
Conclui-se, portanto, que a vigilância deve ser a gramática fundamental das forças populares para o próximo período. A tentativa de retomar o controle sobre os destinos latino-americanos não passará se a unidade entre os povos do Sul Global for forjada na consciência de que a nossa maior riqueza não é o que brota do solo, mas a nossa capacidade de autodeterminação política.
Diante do império que agoniza em sua própria decadência, cabe ao Brasil, sob a guia de Lula, consolidar-se como o polo propositivo da resistência, transformando a esperança em uma barreira inexpugnável contra qualquer tentativa de golpe ou retrocesso, reafirmando que a América Latina não é mais um quintal, mas um território livre, soberano e dono de sua própria história.
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Joilson Bergher/Professor no Brasil!










