Por Zenilton Meira
A ideia de um aeroporto regional na microrregião de Jequié virou narrativa política no atual cenário que contrapõe o ex-prefeito do município ao Governo do Estado. Se analisarmos friamente, constatamos que não temos o que exportar nem o que importar. Além disso, o antigo e útil Aeroporto Vicente Grillo não possui sequer uma linha regular de passageiros desde 1984, sendo utilizado exclusivamente para pousos e decolagens de aeronaves particulares, UTI aérea e transporte de valores.
Esse tema não condiz com as reais e atuais necessidades de Jequié, que hoje ocupa a posição de 11ª cidade mais desenvolvida da Bahia. Se Jequié, que é a sede regional, não apresenta essa demanda, imagine os municípios vizinhos, que são economicamente vulneráveis, sobrevivem do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e não geram divisas de grande relevância.
Pensando pelas vertentes de desenvolvimento que já estão surgindo — como a duplicação da BR-116 e a futura ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica —, toda a logística regional passará por uma mudança, com uma mobilidade urbana e intermunicipal muito mais dinâmica. Isso diminuirá sistematicamente o tempo de viagem tanto para a capital baiana quanto para Vitória da Conquista. Essa futura adequação logística pode, por si só, esvaziar os argumentos que defendem a construção de um aeroporto regional entre os territórios do Médio Rio das Contas e do Vale do Jiquiriçá.
Um ponto lógico que reforça esse entendimento ganha força quando observamos que os investimentos estimados para viabilizar essa narrativa política ultrapassam a cifra dos R$ 80 milhões — um prato cheio para que políticos conquistem holofotes nas redes sociais. Refletindo com inteligência: se o aeroporto de Jequié tivesse procura diária por voos, com aviões vindos de várias partes do Brasil e cargueiros transportando o umbu de Manoel Vitorino, a produção de mel de Lafaiete Coutinho ou a safra de melancia da área irrigada da Barragem da Pedra, a ideia de um aeroporto regional seria plenamente justificável. No entanto, a realidade é outra.
Atualmente, o município de Jequié vê, principalmente, os seus jovens buscarem opções de emprego e renda em outras capitais da federação. A cidade carece de oportunidades. “Aqui só sobrevivem os fortes”, desabafou recentemente um empresário local. Para completar, a violência tem afastado parte da população das praças públicas, enquanto comerciantes, sufocados pelos aluguéis altos do Centro e pelas taxas de estacionamento (Zona Azul), optam por montar seus negócios nas próprias residências.
A concorrência dos tempos atuais — impulsionada por plataformas como Mercado Livre, Shopee, Amazon e Mercado Pago — mudou sistematicamente o comportamento de consumo no país. Os moradores dos municípios, principalmente os menores, têm utilizado esses canais para adquirir produtos, muitas vezes por preços bem abaixo dos praticados no comércio local.
É preciso colocar os pés no chão e focar no que realmente importa: atrair indústrias para gerar emprego e renda para a nossa economia, além de resolver os graves problemas sanitários e de mobilidade urbana de nossa cidade. A limpeza pública está precária, com terrenos baldios entulhados de lixo, e a saúde pública amarga uma decadência que já dura décadas.
A procura e a demanda dependem diretamente uma da outra para se expandirem. Se não há procura por voos diários, não faz sentido se preocupar em oferecer essa estrutura para uma população que, a cada dia, se desloca menos até a capital do estado. Prova disso é que as próprias linhas de ônibus de Jequié para Salvador vêm registrando uma queda constante no número de passageiros. A logística aérea de Jequié para Salvador, além de ser um serviço caro, não encontra qualquer sustentação na nossa atual realidade econômica.



Inacreditável tudo que eu li aqui.Não conheço nenhuma cidade que se desenvolveu sem investimento em infraestrutura, o que incluí, além de uma malha viária minimamente eficiente, uma área para ampliação futura do centro industrial,inexistentes em Jequié,e claro, um aeroporto, que e fundamental, facilitando a o deslocamento de empresários interessados em investir na cidade e o público em geral de toda região, que incluí não só Jequié, com toda a região do Vale do Jiquiriçá. Incrível, com tem gente da própria cidade com este pensamento.
ResponderExcluirNo debate sobre o desenvolvimento de Jequié e dos territórios Médio rio das contas e Vale do Jiquiriçá, a eficiência econômica deve superar o desejo por obras redundantes. Defender a criação ou o uso de um aeroporto a mais de 50 km de distância, tendo um aeródromo local já funcional, ignora a principal vantagem da aviação de negócios: o tempo. Obrigar um investidor a pousar longe e enfrentar quase uma hora de estrada para chegar ao centro industrial da cidade anula o dinamismo que o empresariado busca.
ExcluirAlém disso, a lógica de mercado exige foco estratégico e responsabilidade com o dinheiro público. Aeroportos possuem custos altíssimos de manutenção e homologação; por isso, em vez de pulverizar recursos em uma nova estrutura distante, o caminho inteligente é concentrar os investimentos na modernização, ampliação e balizamento noturno da pista que a cidade já possui. Potencializar a estrutura atual entrega um resultado muito mais rápido e barato do que criar um novo projeto do zero.
Por fim, manter o aeroporto operando localmente consolida Jequié como o verdadeiro polo central da região, fortalecendo sua identidade logística. Direcionar os voos para outra localidade enfraquece a centralidade do município e divide o vetor de crescimento com outras áreas. Infraestrutura inteligente não significa fazer mais obras, mas sim otimizar com precisão o que já está de pé para conectar a microrregião de Jequié ao restante do país.
Infelizmente, a antiaérea SEINFRA-BA segue rejeitando conceitos básicos de desenvolvimento aeroportuário, seus projetos são sempre com parâmetros mínimos dos requisitos aeronáuticos como a insistência de pista abaixo de 2.200m de comprimento e 45m de largura (2.200 x 45m) em cidades grandes do estado como Jequié, Feira e Barreiras. E recusa o conceito brasileiro de pista básica de 1.800 x 45m nas cidades médias.
ExcluirQualquer engenheiro do setor sabe que pista de pouso de ou acima de 1.800m de comprimento deve ter 45m de largura, a SEINFRA-BA faz que não sabe e Feira de Santana e Barreiras também terão pistas de 30m de largura. Lamentável!!!
O formato e o destino de cada cidade sempre foram definidos pela sua capacidade em termos de transporte. Nos dias de hoje, isso diz respeito especificamente ao transporte aéreo.
ResponderExcluir- A fim de, se adequar rapidamente a aeronaves maiores comerciais e executivas de alta performance e também não ficar refém de apenas uma empresa aérea ou modelo de aeronave, vários municípios estão abandonando o conceito brasileiro de aeroporto com a PISTA MÍNIMA REGIONAL de 1.600 x 30m e adequando suas Pistas para a BÁSICA de 1.800 x 45m de comprimento com alta resistência do piso, desse modo, operando sem nenhuma restrição. 18 municípios brasileiros estão em obras de adequação.
ResponderExcluir- Jequié tem hoje pista disponível de 1.125 x 23m com ultrabaixa resistência do piso, características até inferior a pista mínima sub-regional de 1.200 x 30m. O site aeroportuário está completamente ultrapassado e impede a expansão.