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quinta-feira, 5 de março de 2026

O Custo do Descaso: A crise na Guarda Municipal de Jequié e o dever de gestão

 


A precariedade vivida pela Guarda Civil Municipal de Jequié transcende a esfera administrativa para se tornar um grave contencioso jurídico e de segurança pública. Ao ignorar a oferta de EPIs fundamentais (conforme a NR-06), paralisar viaturas por falta de efetivo e manter o Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR) engavetado desde 2023, a gestão municipal não apenas desvaloriza o servidor, mas assume o risco de um passivo judicial oneroso. O sucateamento de uma instituição com 73 anos de história, evidenciado por fardamentos incompletos e motocicletas paradas, reflete uma omissão que fere o Estatuto Geral das Guardas Municipais (Lei nº 13.022/2014) e compromete a proteção direta do cidadão jequieense.

No âmbito da capacitação e do armamento, a inércia administrativa coloca o município em uma zona de exposição perigosa. A atuação armada e o patrulhamento preventivo exigem o cumprimento rigoroso de estágios de qualificação profissional e normativos federais; sem o devido treinamento e credenciamento, a prefeitura falha no seu dever de eficiência e responsabilidade técnica. A judicialização por parte das entidades sindicais não é apenas um "ruído", mas uma prova documental de que os limites do tolerável foram ultrapassados, exigindo respostas imediatas sobre quem autorizou a operação nessas condições e por que os investimentos em qualificação estão estagnados.

A solução para esta crise não admite mais discursos genéricos, exigindo um plano de metas objetivo que inclua cronogramas de capacitação, a recomposição do efetivo por concurso público e a efetivação do PCCR. A segurança da cidade depende de uma Guarda estruturada e não de improvisos operacionais que colocam em risco a vida do agente e do munícipe. É urgente que a administração apresente um inventário operacional transparente e um plano de ação emergencial, pois, no Direito Administrativo, a omissão do gestor diante do risco conhecido gera responsabilidade — e a conta, invariavelmente, chega para a sociedade e para o erário.

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